A história de Maria Sônia e Ana Júlia
A história de Ana Júlia começa antes mesmo do seu nascimento. Maria Sônia descobriu a gravidez após contrair dengue hemorrágica. Aos cinco meses de gestação, os médicos detectaram hidrocefalia — acúmulo de líquido no cérebro. Ana Júlia nasceu prematura e, com apenas 48 horas de vida, passou por cirurgia para colocação de um dreno. Ficou três meses na UTI.
Hoje, aos 14 anos, Ana Júlia depende completamente da mãe para tudo: comer, tomar banho, trocar fraldas e se locomover. Além da hidrocefalia, sofre de crises convulsivas frequentes, mesmo com medicação contínua. Ela não tem cadeira de rodas adaptada — Maria Sônia precisa carregá-la no colo, mesmo sofrendo de um problema na coluna.
Maria Sônia cuida de Ana Júlia e de outros três filhos completamente sozinha. Ela se separou do pai das crianças há quatro anos, por conta de alcoolismo e agressões na frente dos filhos. Seus pais faleceram. Ela não tem rede de apoio familiar.
Apesar da exaustão — e de às vezes chorar escondida no banheiro para não desanimar os filhos — Maria Sônia diz que sua única força é Ana Júlia. Seu sonho é a casa própria: para que, se um dia ela faltar, a filha tenha um teto garantido.